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Friday, July 2, 2010

Ciência

Cientistas reencontram espécie de peixe subterrâneo descrito há 40 anos

A redescoberta de um peixe subterrâneo (Stygichthys typhlops) por cientistas brasileiros em abril deste ano, na região de Jaíba, norte de Minas Gerais, finalmente permitirá que seja feita uma descrição completa e detalhada do animal. Há 40 anos, após receberem um exemplar trazido à superfície durante a abertura de um poço artesiano, dois cientistas norte-americanos o descreveram, com base nesse único indivíduo, e concluíram tratar-se de um lambari.

Stygichthys typhlops

Porém, pesquisadores do Instituto de Biociências e do Museu de Zoologia, ambos da USP, que conseguiram capturar 25 exemplares do peixe, garantem que, apesar de terem escamas e da semelhança superficial, os animais não têm qualquer parentesco mais próximo com os lambaris. "Com essa amostra, será finalmente possível ter uma boa idéia de quem é e como vive essa espécie. Ainda estamos estudando os diversos aspectos da morfologia e do comportamento para termos uma melhor definição", explica a professora Eleonora Trajano, do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências (IB) da USP.

Os exemplares foram localizados em poços artesianos da região, onde o peixe é conhecido popularmente como "piabinha cega". Eleonora conta que, devido a algumas dificuldades, não foram feitas expedições anteriores ao local. Porém, em abril último, os pesquisadores conseguiram encontrar os peixes em duas cisternas.. "Esses peixes possuem características de espécies troglóbias (exclusivamente subterrâneas), como a ausência de olhos e de pigmentação, além de outras modificações relacionadas à vida no meio subterrâneo, permanentemente escuro e com escassez de alimento", explica a pesquisadora. Com quase 20 espécies conhecidas, o Brasil destaca-se mundialmente pela riqueza em peixes troglóbios. "A Stygichthys typhlops é uma das mais modificadas e espetaculares entre essas espécies", diz Eleonora.

Canibal
Um diferencial observado no comportamento do Stygichthys typhlops é que ele possui o hábito do canibalismo (ingestão de indivíduos da mesma espécie). "Isto é uma coisa rara em peixes, só registrada anteriormente em quatro das mais de 100 espécies de peixes troglóbios de todo o mundo", cita a pesquisadora. Segundo ela, o peixe atinge 5 centímetros (cm) de comprimento. "O que foi enviado aos EUA tinha apenas 2,5 cm. Um filhote ainda", lembra.

Stygichthys typhlops

Ainda este ano, os pesquisadores deverão realizar estudos mais aprofundados sobre Stygichthys typhlops para saber qual seu parente mais próximo entre as espécies de peixes. Em paralelo com a investigação das relações de parentesco desta espécie com os peixes que vivem na superfície, deverão ser estudados o comportamento e aspectos da ecologia.

Os estudos sobre Stygichthys typhlops, segundo a pesquisadora, poderão implicar na revisão das relações de parentesco entre grupos já estudados. "O que podemos antecipar é que o animal pertence ao grande grupo brasileiro de peixes de escamas, que inclui, além de lambaris e piabas, as traíras, dourados, piaus, curimatás, pacus, piranhas etc., mas não se encaixa em nenhuma das famílias conhecidas, daí o grande interesse suscitado no meio científico por sua redescoberta ".

Quanto ao habitat, os pesquisadores acreditam que o peixe chegou ao subterrâneo após invadir pequenas fendas existentes no calcário localizado abaixo do leito e das margens de um rio local. A pesquisadora alerta que, devido à exigência de drenagem de grandes volumes de água para irrigação que acontece atualmente na região (o Projeto Jaíba de irrigação é um dos maiores da América do Sul), o pequeno peixe pode já estar com sua sobrevivência ameaçada pelo rebaixamento do nível das águas subterrâneas, restringindo seu habitat de forma acelerada.

A expedição, que foi organizada pela professora Eleonora e pelo doutorando Cristiano de Oliveira, contou também com a participação do professor Mário César Cardoso de Pinna e Osvaldo Oyakawa, do Museu de Zoologia, e de Maria Elina Bichuette (pós-doutoranda pelo IBUSP) e Flávio Dias Passos.
 

 Coleta de exemplares

O Stygichthys typhlops foi descrito pela primeira vez por dois cientistas norte-americanos que pensaram tratar-se de um lambari. Contudo, pesquisadores da USP redescobriram o animal e já têm uma certeza: não é um lambari  

Fonte:

Tuesday, February 24, 2009

O mistério do Macropinna microstoma

Pesquisadores do Instituto de Preservação do Aquário da baia de Monterey desvendaram um mistério de meio século sobre os peixe com olhos tubulares e uma cabeça transparente. Desde que o Macropinna microstoma de foi descrito em 1939, os biólogos marinhos sabiam que seus olhos tubulares eram muito bom na captação de luz. Entretanto, um novo papel foi descoberto por Bruce Robison e Kim Reisenbichler, que mostram que esses olhos incomuns podem girar dentro do protetor transparente que "cobre" a cabeça do peixe. Isto permite que o Barreleye (Olhos Tubulares - nome popular) possa olhar para cima e também focalizar o que esta em sua frente quando está comendo. A descrição da espécie não mostrava essa característica, e os autores acreditam que esta é uma estrutura frágil e seria destruída no momento em que os peixes foram trazidos à superfície nas redes. Diversas espécies dos peixes abissais na família Opisthoproctidae são chamadas " Barreleyes" porque seus olhos possuem forma tubular.

Macropinna microstoma

Embora os olhos tubulares sejam muito bons em coletar luz, eles têm um campo muito estreito de visão. Além disso, até aqui, a maioria dos biólogos marinhos acreditam que os Barreleye possuem seus olhos fixos em sua cabeça, que permitiriam que olhassem somente para cima. Isto seria impossível para este peixe conseguir ver diretamente na frente dele, e muito difícil para que capture seus alimento com sua boca pequena.
Robison e Reisenbichler usaram veículos comandados à distância (ROV) para estudar os Barreleyes nas águas profundas do mar da Califórnia central. Em profundidades de 600 a 800 metros (2.000 a 2.600 pés) abaixo da superfície, as câmeras de ROV mostraram estes peixes em suspensão imóvel na água, seus olhos emitiam um verde vívido no ROV. O vídeo do ROV igualmente revelou a característica não descrita destes peixes, seus olhos são cercados por um protetor transparente, um fluido que cobre a parte superior da cabeça do peixe. A maioria das descrições e ilustrações existentes deste peixe não mostram seu protetor, provavelmente porque esta estrutura frágil foi destruída quando os peixes foram trazidos para a superfície.


Macropinna microstoma

Entretanto, Robison e Reisenbichler conseguiram trazer um Barreleye vivo ate a superfície, onde sobreviveu por diversas horas em um aquário a bordo do navio. Dentro deste ambiente controlado, os investigadores podiam confirmar que tinham visto no vídeo do ROV, os peixes giravam seus olhos tubulares enquanto virava seu corpo da posição horizontal a uma posição vertical.
Os Barreleyes têm uma variedade de outras adaptações interessantes à vida do alto mar. Suas grandes nadadeiras lisas permitem que eles fiquem quase imóveis na água, e manobrar muito precisamente seus movimentos; suas bocas pequenas sugerem que sejam muito preciso e seletivo em capturar suas presas; e seus sistemas digestivos são muito grande, o que sugere que possa comer uma grande variedade animais.

Macropinna microstoma

Os autores acreditam que o Macropinna microstoma emita os pigmentos verdes para facilitar a visualização de medusas, um de seus alimentos, as quais são bioluminescentes. Na maioria das vezes o peixe fica a maior parte imóvel na água, esperando as medusa que derivam acima de sua cabeça, as quais iram aparecer através da sua luz emitida.

Distribuição de Macropinna microstoma


Para mais informações:
Robison, B.H.; Reisenbichler, K.R. Macropinna microstoma and the paradox of its tubular eyes. Copeia. 2008, No. 4, December 18, 2008.

Monterey Aquarium


Wednesday, February 18, 2009

Ciência

Cientistas documentam 13 mil espécies nos oceanos gelados

Em uma surpresa, os cientistas disseram ter achado dezenas de espécies comuns a ambos os mares polares.

Pelagonemertes rollestoni caçando zooplâncton . Foto: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


Os oceanos polares não são desertos biológicos. Um censo da vida marinha, divulgado no último dia 16 de fevereiro, documenta 7,5 mil espécies nas águas da Antártida e 5,5 mil no Ártico, incluindo centenas que, acreditam os pesquisadores, nunca haviam sido descritas cientificamente.

Uma lesma aquática do tamnaho de um grão de feijão, Limacina helicina, ocorre nos dois polos. Imagem: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


"Os livros de ciência dizem que há menos diversidade nos polos que nos trópicos, mas encontramos uma variedade espetacular de vida marinha nos oceanos Antártico e Ártico", disse a pesquisadora australiana Victoria Wadley, que tomou parte no levantamento feito na Antártida. "Estamos reescrevendo os livros".

Clione limacina, encontrada tanto nas águas do Ártico quanto da Antártida. Foto: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


Em uma das maiores surpresas, os cientistas disseram ter descoberto dezenas de espécies comuns a ambos os mares polares, separadas por quase 11 mil quilômetros. Agora, é preciso descobrir como acabaram se separando.

Chionodraco hamatus, um peixe do Ártico, capaz de suportar temperaturas que congelam o sangue de outros peixes. Imagem: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


"Provavelmente sabemos mais sobre o espaço profundo que sobre as profundezas dos oceanos polares, no nosso quintal", disse a líder do programa oceânico do grupo ambientalista WWF-Austrália, Gilly Llewellyn. Ela não tomou parte na pesquisa.

Calycopsis borchgrevinki é uma das água-vivas mais comuns da Antártida. Foto: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


A maior parte das formas de vida descobertas são invertebrados, animais simples, desprovidos de espinha vertebral.

Platybrachium antarcticum, ou anjo-do-mar, nada nas águas da Antártida em busca de lestmas para se alimentar. University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


Pesquisadores descobriram dezenas de espécies de aranhas marinhas grandes como a mão de um ser humano, e minúsculos crustáceos semelhantes a camarões na bacia antártica, vivendo a uma profundidade de 3,8 quilômetros.

O crustáceo Mimonectes sphaericus, que vive tanto no Ártico quanto na Antártida. Foto: University of Alaska Fairbanks, Census of Marine Life, Russ Hopcroft


Esse levantamento é um dos vários projetos do Censo da Vida Marinha, um esforço internacional para catalogar todas as formas de vida dos oceanos. O censo de dez anos, com publicação prevista para 2010, é patrocinado por governos, órgãos da ONU e organizações privadas.


Fonte: Estadão

Sunday, November 2, 2008

Ciência

Peixe do tempo das bandeiras volta a povoar o Alto Tietê

Nas artes, ela é citada por Mário de Andrade no poema "A Meditação sobre o Tietê". Na ciência, o ciclo reprodutivo da tabarana, espécie de peixe que está sendo recolocada nas cabeceiras do próprio Tietê, ficou documentado pelo famoso zoólogo Rodolpho von Ihering (1883-1939), nas várzeas do rio "Tamanduatey", entre as estações "Ypiranga" e São Caetano, ou seja, em plena zona metropolitana de São Paulo.
É bem possível que os bandeirantes e os jesuítas pescassem a espécie, que também vivia no "famoso" riacho do Ipiranga, na Vila de Piratininga (peixe seco, em tupi). Mas a poluição chegou ao longo do século 20. Do rio Tietê, a história é conhecida: no trecho em que corta a capital paulista, morreu. A tabarana (Salminus hilarii) acabou aprisionada na cabeceira do rio.


"Hoje, nesta região, ela ocorre até Mogi das Cruzes na Grande São Paulo, e existe também nos rios Biritiba e Paraitinga", afirma o pesquisador Alexandre Hilsdorf, que está tocando um projeto de repovoamento de tabaranas patrocinado pelo Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) --que tem vários reservatórios na região e, por isso, é obrigado por lei a cuidar da fauna que existe em suas águas.
Pelas contas do pesquisador da UMC (Universidade Mogi das Cruzes), 4.000 tabaranas jovens já foram soltas no Alto Tietê nos últimos anos. Junto com esses primos do dourado, que podem chegar a 30 cm de comprimento, mais 10 mil lambaris-de-rabo-vermelho foram soltos. As tabaranas são migradoras. E comem lambaris.
O projeto na cabeceira do Tietê, que já dura cinco anos, tem um objetivo de campo e outro de laboratório. Uma das preocupações, afirma Hilsdorf, é com toda a cadeia ecológica da região. "A tabarana é carnívora e está no topo da teia alimentar. Ter essa espécie em boas condições na região é uma certeza de que todo o ecossistema também está bem."
Dentro do laboratório, as pesquisas estão identificando todo o ciclo reprodutivo das tabaranas, algo que não havia sido feito ainda. Esta parte do trabalho está sob responsabilidade de Renata Guimarães Moreira, da USP. A tabarana, apesar de não ser um peixe pequeno, é muito sensível -e não se reproduz em cativeiro.
Hoje, nos tanques do projeto que ficam em Salesópolis, ao lado da barragem Ponte Nova, que represa as águas ainda limpas do Tietê, existem 141 reprodutores selvagens. Depois de alguns anos de tentativa, os cientistas finalmente conseguiram reproduzir o peixe. Com uma injeção de hormônio, é possível estimular a desova de forma artificial. A fecundação é feita no tanque.
Na natureza, o período de reprodução ocorre entre a primavera e o verão. E os peixes sobem o rio atrás de áreas de remanso para a desova, cada vez mais difíceis de achar. "Um dos problemas que tivemos que enfrentar foi o canibalismo entre os jovens", diz o biólogo. "Agora já se sabe que a oferta de Artemia [um pequeno crustáceo] para os animais impede que um coma o outro dentro dos tanques."


Os pesquisadores calculam que, no ano que vem, 5.000 alevinos sejam produzidos para a reposição no Alto Tietê. Um dos obstáculos para as tabaranas, por causa dos reservatórios, é ultrapassar as barragens para subir os rios. "Mas, mesmo assim, já encontramos algumas tabaranas dentro dos reservatórios", disse Hilsdorf.
Numa madrugada, relembra o cientista, 80 tabaranas foram localizadas dentro de um poço próximo a uma das barragens. Os peixes entraram, mas como aquele corpo d'água foi esvaziado depois, eles não conseguiram sair. Foram todos resgatados, mas morreram nos tanques devido a um parasita.
Nos próximos anos, Hilsdorf afirma que o importante será analisar a qualidade do processo de repovoamento. "Do ponto de vista genético, precisamos ver como anda a variabilidade da espécie. Nossa intenção é desenvolver marcadores de DNA para ver o quanto de material reintroduzido está sendo realmente recrutado (distribuído na população)."
Existe até a suspeita de que a barreira química do Tietê possa estar fazendo com que a tabarana de Mogi e região esteja virando uma nova espécie. O status de vulnerabilidade das tabaranas é uma incógnita. Mas Hilsdorf é otimista: "Caso um dia a barreira química na cidade de São Paulo desapareça, será possível voltar a pescar tabarana no Tamanduateí."

Fonte: Folha

Sunday, October 26, 2008

Ciência

Estudo revela peixes que vivem em igarapés de Oriximiná
A maioria dos estudos já realizados sobre a fauna de peixes da Bacia Amazônica tem como foco os rios de grande porte, o que termina por excluir habitats menores, como os igarapés. Tendo isso em vista, o jovem cientista Bruno Ayres, bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica (PIBIC) do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), investigou a estruturação da comunidade de peixes dos igarapés do Platô Bacaba, elevação de cerca de 200 metros acima do nível do mar localizada na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, município paraense de Oriximiná, na região do Baixo Amazonas.
Aluno do curso de Biologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Ayres elaborou trabalho intitulado “Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)”, que foi orientado pelo pesquisador Luciano Montag, especialista em Ictiologia – estudo de peixes – do Instituto de Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que já atuou no Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) como pesquisador associado.


Montag explica que o trabalho integra o Estudo de Impacto Ambiental encomendado pela empresa Mineração Rio do Norte (MRN), que vai explorar a bauxita no Platô Bacaba. “O objetivo é verificar o que acontecerá com a fauna de peixes quando começar a extração de bauxita”, afirma o pesquisador.
O bolsista Bruno Ayres afirma que o trabalho é o primeiro a avaliar a fauna de peixes dos igarapés de Oriximiná, pois, antes dele, as pesquisas se voltaram para os peixes de habitats como rios e lagos.
Ayres acredita ser importante analisar a distribuição e a ocorrência desses animais em igarapés para conhecer ainda mais a riqueza e a diversidade dos ambientes aquáticos da Amazônia. A longo prazo, a idéia é dimensionar os impactos da extração de bauxita para a fauna de peixes dos igarapés do Platô Bacaba.
“A fauna de peixes de um igarapé é distinta da fauna do rio principal, pois os animais são adaptados para aquele ambiente de águas lentas ou quase paradas, com um curso d’água mais estreito e menos volumoso”, afirma.
Os 552 exemplares de peixes analisados na pesquisa, distribuídos em 33 espécies, foram coletados nos meses de junho e outubro de 2007, nos igarapés da nascente dos rios Saracá a Araticum, que compõem a microbacia do Rio Trombetas. Para descrever as espécies coletadas, Bruno contou com o auxílio dos pesquisadores Wolmar Benjamin Wosiacki, da Coordenação de Zoologia (CZO), do Museu Emilio Goeldi, e Flávio Lima, da Universidade de São Paulo (USP).
Troca de espécies - A coleta ocorreu nas épocas de transição entre os períodos de seca e cheia, o que permitiu constatar que a comunidade de peixes desses igarapés pode variar de acordo com o nível do rio. “Observei que as espécies que compõem a fauna desses igarapés na seca mudam quando chega a época da cheia”, sugere Ayres.
“Na seca, algumas espécies migram para outros locais em busca de um maior volume d’água, e outras sobem em direção aos igarapés, então há uma permuta de espécies entre os ambientes”, comenta o jovem pesquisador. O futuro biólogo propõe também que, na seca, quando há um volume menor de água nos igarapés, as interações bióticas (relações ecológicas como competição, exclusão, predação, reprodução etc.) são muito maiores.
Segundo Ayres, relações como competição e predação podem explicar o sumiço de algumas espécies e o aparecimento de outras quando da mudança da seca para a cheia e vice-versa. “Durante a coleta, nós capturamos dois ou três peixes predadores, como a traíra (também conhecida como sulamba), o que mostra que, se eles estão ali, é porque há uma grande disponibilidade de alimento”.

Na opinião de Bruno, a sobrevivência no igarapé depende da capacidade do animal de usufruir de todos os recursos disponíveis nesse ambiente aquático, cujo tamanho reduzido em relação ao rio intensifica relações como competição, exclusão, reprodução etc. “Isso tudo influencia na forma como o indivíduo vai se adaptar àquele ambiente”, suscita, complementando que “se a espécie conseguir utilizar os recursos do igarapé de forma eficiente, vai se sobressair”. A pesquisa mostra que espécies de piaba e bagre são as mais encontradas nas microbacias analisadas.
De acordo com o estudo, não é apenas a fauna que sofre alterações com a vazão ou cheia do igarapé. O próprio ambiente aquático também é afetado. Influenciando diretamente na cheia desses igarapés, a chuva leva muitos nutrientes da floresta adjacente, a Saracá-Taquera, para dentro desses córregos, constituindo uma matéria orgânica que é responsável pela alimentação de toda uma cadeia, até chegar nos peixes maiores. Isso pode explicar o aparecimento de traíras e outros peixes de grande porte nesses ambientes aquáticos.
Riqueza – Ayres comparou o resultado de sua pesquisa, que resultou na descrição de 33 espécies encontradas nos igarapés do Platô Bacaba, com trabalhos científicos já realizados em igarapés amazônicos e concluiu que a diversidade de peixes nesses ambientes aquáticos não varia muito, ficando em torno de 29 e 35 espécies. “Isso pode mostrar que o máximo de espécies que esse tipo de ambiente pode comportar é aquele intervalo devido ao tamanho reduzido do habitat, ao menor volume d’água e à disponibilidade de alimentos”, diz o bolsista.
O número limitado de espécies de peixes, porém, não significa que a fauna dos igarapés da Amazônia é totalmente conhecida. Prova disso é a pesquisa de Bruno Ayres, quando foi coletado um exemplar de piaba maior do que aqueles já descritos na literatura científica e que pode representar uma espécie nova para a ciência. Para isso, foi fundamental o auxílio do ictiologista da USP, Flávio Lima.
O bolsista conta que, durante o processo de descrição das espécies colhidas nos igarapés do Platô Bacaba, Flávio Lima reconheceu essa espécie de piaba e afirmou que já estava descrevendo-a. Segundo Ayres, a certeza de que se trata de uma nova espécie de peixe virá com a publicação do trabalho do pesquisador da USP, “provavelmente ainda este ano”.

Prêmio – Durante o XVI Seminário PIBIC do Museu Goeldi, realizado em julho, o estudo“Composição, Riqueza e Diversidade de Peixes de Igarapés no Platô Bacaba, Flona de Saracá-Taquera, Município de Oriximiná (PA)” foi apontado o melhor trabalho realizado por um bolsista PIBIC em 2007 no âmbito da Coordenação de Zoologia do MPEG.


Fonte: MPEG

Wednesday, October 1, 2008

Ciência

Novas terras submarinas


Pesquisadores que estudam os recifes de corais do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a mais antiga reserva natural dos mares brasileiros, acreditavam conhecer bem a área, até que em 2000 pescadores locais avisaram que havia recifes profundos fora dos mapas. Foram ver e encontraram novas terras submarinas: a área de recifes conhecida em Abrolhos dobrou e vem permitindo conhecer como aquele trecho do litoral se formou ao longo dos últimos milênios. “Essa descoberta casual gerou um projeto ambicioso”, conta o biólogo Rodrigo Moura, coordenador do programa Marine Management Area Science da Conservação Internacional (CI) do Brasil. Formado por cinco ilhotas de origem vulcânica a 70 quilômetros da costa no sul da Bahia, o parque abriga mais do que as baleias-jubarte, que atraem turistas entre julho e novembro. Ali estão os chapeirões, estruturas em forma de cogumelo cujos topos às vezes se unem e formam colunatas por onde circulam barracudas, garoupas, moréias e pequenos peixes coloridos. Das 16 espécies de coral de Abrolhos, metade é exclusiva do Brasil, como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), principal construtor de recifes na região.


Sparisoma amplum

O banco dos Abrolhos, maior conjunto de recifes do Atlântico Sul, é maior que os 900 quilômetros quadrados preservados. No total são 40 mil quilômetros quadrados, área semelhante à do Espírito Santo, que só agora começa a ser investigada a fundo. O grupo de Moura explorou o fundo do mar ao longo de 100 quilômetros da costa – entre a foz do rio Jequitinhonha, sul da Bahia, e a do rio Doce, norte do Espírito Santo –, em 19 linhas que partiam do litoral mar adentro, até a queda da plataforma continental, onde a profundidade aumenta subitamente. “Percorrer cada uma dessas linhas demorava dois dias”, lembra o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que participou de algumas expedições no barco equipado com um sonar que produzia imagens tridimensionais do fundo do oceano. O geólogo da Ufes se surpreendeu por encontrar, a profundidades de até 50 metros, paleocanais formados há cerca de 15 mil anos, quando o que hoje é coberto por mar era terra. “Esses canais indicam por onde os rios passavam naquela época”, explica. Como estão preservados, sugerem que o nível do mar subiu rapidamente na região.


Pomacanthus paru

O grupo selecionou pontos de destaque nas imagens do sonar e retornou com um robô capaz de filmar locais a que um mergulhador teria dificuldade de descer. As imagens do robô mostraram corais-negros, típicos de águas profundas, pela primeira vez registrados na região, e algas calcáreas, com um esqueleto de carbonato de cálcio que lembra seixo. Em setembro os pesquisadores pretendem usar o robô para investigar outras áreas dos recifes e mergulhar a 90 metros, a fim de verificar se há corais por ali. Paulo Sumida, oceanógrafo da Universidade de São Paulo (USP) que coordena a análise dos dados biológicos, deve instalar nos recifes câmeras que automaticamente registram uma imagem por hora, a fim de estudar a dinâmica da vida marinha ali.
Embora o levantamento ecológico esteja no início, Rodrigo Moura e o biólogo Ronaldo Francini-Filho, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), já constataram que os recifes profundos abrigam uma biomassa de peixes com valor comercial 30 vezes maior do que os rasos. Em artigo a ser publicado na Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, eles compararam a população de peixes de recifes profundos e rasos – alguns protegidos e outros com acesso livre para pescadores. Viram que áreas com restrição à pesca são mais ricas em peixes carnívoros de grande porte, como a garoupa, em geral os primeiros a desaparecer das áreas de pesca, que demoram até 40 anos para chegar à idade adulta. Com o escasseamento dos grandes carnívoros , os pescadores passam a capturar os herbívoros, como os budiões. O problema é que, sem budiões, as algas cobrem os recifes e os corais morrem. Hoje menos de 1% da área de Abrolhos está protegida. E não há planos de preservação dos recifes profundos. Segundo Francini-Filho, seria preciso preservar 20% de cada zona para manter a biodiversidade. As reservas marinhas beneficiam todos. Como os limites só valem para as pessoas, a população de peixes aumenta rapidamente e muitos migram até 1.200 metros fora das reservas, de acordo com publicado on-line na Fisheries Research. Mesmo em áreas protegidas, parte dos corais de Abrolhos se encontra ameaçada. Francini-Filho constatou que uma bactéria – provavelmente do gênero Vibrio, que chegou a Abrolhos em 2005 – está matando sobretudo o coral-cérebro.


Mussismilia braziliensis

Os pesquisadores estimam que, se nada for feito, em cem anos só restarão 40% dos corais dessa espécie em Abrolhos. É uma estimativa otimista. Se a temperatura da água subir 1° Celsius por causa do aquecimento global, bastarão de 50 a 70 anos para extinguir os corais de Abrolhos. Com mais calor as bactérias proliferam mais depressa e surgem outros problemas como o branqueamento, decorrente da morte de microalgas que vivem no interior dos corais. Conter o aquecimento global requer ação de todos os países, mas é possível reduzir o nível de bactérias com a coleta e o tratamento do esgoto das cidades costeiras.


Fonte:
Agência FAPESP

Friday, July 25, 2008

Ciência

Peixe usa grunhido para assustar rivais

Já se sabia que algumas espécies, como o peixe-sapo, produzem sons para atrair fêmeas e espantar rivais, mas o estudo da equipe do professor Andrew Bass, da Universidade de Cornell, indica que a área do cérebro que controla a vocalização é extremamente primitiva."Ouvimos sapos coaxar, passarinhos cantar e ouvimos isso o tempo todo, estamos acostumados com isso. Mas acho que podemos dizer que a maioria das pessoas não sabe que peixes usam sons para comunicação social", disse Bass.

Peixe sapo - Antennarius pictus
O peixe-sapo, encontrado na costa dos Estados Unidos no Oceano Pacífico, se abriga em cavernas e emite ruídos durante horas para atrair fêmeas. As interessadas deixam ovas sobre o teto dos abrigos. O animal também defende o seu território com grunhidos e ruídos, que espantam outros machos.

Peixe sapo - Antennarius pictus
O circuito vocal descoberto pela equipe do professor Bass fica em um local e tem função muito semelhantes aos de anfíbios, aves e mamíferos. Essa semelhança pode indicar, segundo o estudo publicado na Science, que a estrutura vocal surgiu primeiro em um antepassado dos vertebrados atuais e então se espalhou para várias espécies.

Fonte: BBC


Friday, May 30, 2008

Ciência

A mais velha mãe de que se tem notícia foi descoberta por um grupo de cientistas, em feito já considerado um dos mais importantes na história da paleontologia. O estudo, descreve um único embrião conectado à mãe pelo cordão umbilical.

Trata-se da mais antiga evidência de procriação de um vertebrado. O fóssil, com idade estimada de 380 milhões de anos, pertence a uma espécie até então desconhecida, de uma extinta classe de peixes com armadura que viveu no período Devoniano.



Placoderme

Mãe e filho eram placodermos, ou seja, pertenceram a um grande e diverso grupo de peixes que os cientistas estimam ter sido o mais primitivo entre os vertebrados com mandíbulas. Os placodermos, conhecidos como dinossauros dos mares, dominaram lagos e oceanos por cerca de 70 milhões de anos.
O fóssil foi encontrado na formação Gogo, no oeste da Austrália, em local que integrou um antigo recife de barreira entre 408 milhões e 355 milhões de anos atrás. A mãe tinha 25 centímetros de comprimento. O fóssil está em exibição no Museu Melbourne.
Os pesquisadores responsáveis pela descoberta deram à espécie o nome de Materpiscis attenboroughi, em homenagem ao renomado naturalista e documentarista inglês David Attenborough. Foi Attenborough quem, em 1979, primeiro chamou a atenção à formação Gogo.
No artigo, os cientistas destacam que a espécie apresentava “biologia reprodutiva notadamente avançada, comparável à dos modernos tubarões e raias”.



Grupo australiano descobre fóssil de vertebrado e filhote ligados por cordão umbilical, no mais antigo registro do tipo


Fósseis de vertebrados com o momento de procriar preservado são extremamente raros. O novo achado amplia o registro de tais casos em 200 milhões de anos. “É um dos fósseis mais extraordinários já descobertos. Trata-se não apenas da primeira vez que um embrião fossilizado é encontrado com uma corda umbilical, mas também do mais antigo exemplo conhecido de uma criatura dando à luz a outra”, disse John Long, do Museu Vitória, coordenador do estudo.
“A evidência de um espécime com cordão umbilical e embrião fornece à ciência o primeiro exemplo de fertilização interna, ou seja, de sexo. O que confirma que alguns placodermos apresentavam biologia reprodutiva avançada. Essa descoberta muda nossa compreensão sobre a evolução de vertebrados”, destacou.





O fóssil foi encontrado na região noroeste da Austrália

“Dizer que estou emocionado com a notícia é pouco. Estou extremamente lisonjeado que meu nome tenha sido dado a uma criatura tão surpreendente”, escreveu Attenborough em carta a Long.


Fonte: Agência FAPESP

Thursday, May 1, 2008

Ciência

Cientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, estão tentando descobrir como uma espécie de peixe conseguiu sobreviver sem reprodução sexuada há pelo menos 70 mil anos.
A população da Molinésia Amazona, ou Poecilia formosa na nomenclatura científica, é formada apenas por fêmeas e pode ser encontrada na região do Texas, nos Estados Unidos, e no México.
A espécie se reproduz por um processo conhecido como ginogênese, que consiste em um tipo de "acasalamento" com machos de outras espécies. O espermatozóide, no entanto, serve apenas para estimular os óvulos da fêmea, não para fecundá-los. Por isso, os filhotes são sempre clones das mães e não herdam traços genéticos do macho.

Fêmea de Poecilia formosa e macho de outra espécie

Segundo os cientistas, criaturas que se reproduzem de forma assexuada apresentam problemas genéticos e freqüentemente são vítimas de extinção pela fraqueza da espécie, o que não teria acontecido com a Molinésia-Amazona.
Para entender o complexo sistema de sobrevivência desse tipo de peixe, os cientistas calcularam há quanto tempo a molinésia-amazona deveria ter sido extinta, com base em cálculos das modificações genéticas pelas quais passaram várias gerações. Os resultados mostram que a espécie deveria ter sido extinta há 70 mil anos. No entanto, ela ainda pode ser encontrada atualmente.

'Truques'
De acordo com os cientistas, a espécie deve estar usando alguns "truques" genéticos para sobreviver e o próximo passo da pesquisa será entender quais são eles.
"O que nosso estudo demonstra é que este peixe realmente tem alguma coisa especial e que existem alguns truques que ajudam a espécie a sobreviver", disse Laurence Loewe, que liderou o estudo.

Exemplar de Poecilia formosa
Uma hipótese levantada pela pesquisa é a de que, em alguns casos, o peixe pode estar pegando traços do DNA dos machos para estimular a reprodução e renovar sua combinação genética.
Segundo Loewe, as descobertas podem ajudar a compreender melhor os mecanismos de outras espécies.
"O interessante é que podemos aprender mais sobre outras espécies que utilizam estes mesmos truques", afirmou.
O estudo foi publicado na revista científica BMC Evolutionary Biology.

Fonte: G1

Sunday, April 27, 2008

Ciência

Expedição encontra 14 'novas espécies' no Cerrado
Os 26 pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Museu de Zoologia da USP, da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade Federal do Tocantins e da CI-Brasil passaram 29 dias na reserva para o levantamento e mapeamento das espécies. Ao todo, 440 espécies foram registradas: 259 aves, 61 mamíferos, 52 répteis, 40 anfíbios e 30 peixes.
O Corythomantis greeningi, que habita a região da Caatinga, na região do Jalapão, tem secreções na pele que podem irritar os olhos e narinas
Segundo o coordenador da expedição, o biólogo Cristiano Nogueira, do Programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil, entre as 14 prováveis novas espécies da região estão oito peixes, três répteis, um anfíbio, um mamífero e uma ave.
"Foram obtidos dados inéditos sobre a riqueza, a abundância e a distribuição da fauna de uma das mais extensas, complexas e desconhecidas regiões do Cerrado", afirmou o biólogo.
"Os novos dados geram uma visão melhor da riqueza de espécies da maior estação ecológica do cerrado, cuja fauna ainda era pouco estudada", acrescentou Nogueira.

O lagarto do gênero Bachia possui ausência de membros e o focinho afilado
Espécies ameaçadas
A expedição encontrou uma espécie de lagarto conhecida de poucas regiões do Cerrado na porção mais ameaçada da reserva, no planalto da Serra Geral, na Bahia.
A Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins foi criada em 2001. A reserva é a segunda maior unidade de conservação do Cerrado, com 716 mil hectares.

Espécies como o Phyllomedusa podem conter importantes matérias primas para novos medicamentos

Além das 14 novas espécies, a expedição também obteve vários registros de espécies ameaçadas, como a arara azul grande, a suçuapara, o tatu-bola, o pato-mergulhão, entre outros.
"Esse tipo de levantamento é imprescindível para aumentar nosso conhecimento básico sobre a biologia das espécies", disse Luís Fábio Silveira, do Departamento de Zoologia da USP.
"A partir dele, podemos obter dados sobre a anatomia, a biologia reprodutiva, o ciclo de vida e a alimentação das espécies, o que nos auxilia em futuros programas de conservação", acrescentou.

O sapo de chifre, do gênero Proceratophrys está entre as novas espécies
O trabalho de campo da expedição foi encerrado e agora começa a fase de análise dos dados e comparação do material obtido.
Os resultados finais do estudo serão divulgados em publicações científicas, em congressos e em relatórios técnicos. Os dados serão usados para a elaboração do plano de manejo da estação ecológica.

O lagarto Stenocercus quinarius também foi descoberto na expedição




Fonte e Fotos: BBC

Sunday, April 20, 2008

Ciência

Expedição científica encontrou estrelas gigantes nas proximidades da Nova Zelândia.

Uma expedição científica encontrou espécies marinhas gigantes no Oceano Glacial Antártico, na região próxima à Nova Zelândia, durante uma missão que terminou nesta semana. Entre os animais, estão caracóis marinhos, medusas com tentáculos de até quatro metros e estrelas-do-mar.

Cientistas mostram a estrela-do-mar gigante
A viagem durou 50 dias, e os pesquisadores percorreram um trajeto de 3,2 mil quilômetros pelo Mar de Ross, segundo informou o especialista em ciências marinhas Don Robertson

— Eu diria que há centenas de organismos previamente desconhecidos e numerosas espécies novas entre as 30 mil espécies recolhidas — disse o pesquisador.
Estrela-do-mar de cerca de 50 centímetros de diâmetro

As baixas temperaturas, o escasso número de predadores, os elevados níveis de oxigênio na água do mar e a longevidade podem explicar o tamanho de algumas espécies, disse Robertson, do Instituto Nacional de Água e Investigação Atmosférica (NIWA) de Nova Zelândia.
Estrela-do-mar com 30 centímetros de diâmetro
A missão faz parte do programa do Ano Polar Internacional, que inclui 23 países e 10 viagens de investigação ao continente gelado. A expedição deve terminar em julho de 2009.

Fonte: AP
Fotos: BBC

Wednesday, April 16, 2008

Ciência e Prêmio

Elefante teria ancestral aquático, sugere estudo.
Cientistas americanos e britânicos analisaram resíduos químicos preservados em dentes fossilizados de dois mamíferos extintos da família dos elefantes – o Barytherium e o Moeritherium, que viveram no Egito durante o período Eoceno, há 37 milhões de anos.
A equipe da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e da Stony Brook, em Nova York, identificou, a partir da análise do esmalte dentário, que a alimentação destes animais era baseada em plantas aquáticas e eles tinham modo de vida similar ao do hipopótamo.

"O padrão preservado nos dentes é muito similar ao dos mamíferos aquáticos que vivem atualmente. Isso reforça a hipótese de que, em algum ponto da evolução dos elefantes, estes animais eram dedicados a uma vida inteiramente aquática ou anfíbia – eles provavelmente passavam a maior parte do tempo na água", disse à BBC Erik Seiffert, que liderou o estudo.
Os cientistas esperam que o estudo possa oferecer uma melhor compreensão sobre o modo de vida e o comportamento dos elefantes modernos.
Ancestral
Estudos anteriores que fizeram análises de DNA sugerem que os elefantes eram da família do peixe-boi e do dugongo (mamífero marinh encontrado na Austrália) e de outro animal terrestre, o hírax (animal parecido com um hamster, encontrado ao norte da África e no sudoeste da Ásia).
Com base nestas análises, os cientistas passaram a sugerir que os elefantes teriam evoluído de um ancestral aquático.
"Temos várias peças do quebra-cabeças; se conseguirmos encontrar mais um exemplo de um elefante aquático ou semi-aquático, isso seria extremamente convincente", disse Alexander Liu, co-autora do estudo.
De acordo com Liu, o ancestral não seria completamente aquático, já que não tinha adaptações como membros parecidos com nadadeiras ou corpo alongado.
Segundo os cientistas, ainda não está claro quando ou porque o ancestral do elefante teria deixado a água para ter uma vida terrestre. Uma teoria levantada pelos pesquisadores é a de que um possível resfriamento no fim do período Eoceno teria secado os rios e lagos, forçando os animais a viverem na terra.

Fonte: BBC
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Prêmio

Ontem ganhei dois selinhos da Ciça, minha nova amiga e fututa bióloga também, que possui um blog onde ela expõe seus pensamentos e fatos que intrigam o mundo. Vale a pena conferir: O Céu, o Sol e o Mar...
Obrigado Ciça!!!



Eu indico esse prêmio a 3 grandes pessoas!

1 - Renatinha (que bom que você não desistiu!)
2 - Oscar
3 - Dennis

Espero que gostem!!!

Monday, April 14, 2008

Ciência

Um sapo sem pulmão acaba de ser descoberto na ilha de Bornéu, na Indonésia. Trata-se do primeiro caso confirmado do tipo e, segundo os cientistas responsáveis pelo estudo, a espécie aquática Barbourula kalimantanensis aparentemente respira através da pele. A descoberta será publicada em artigo no dia 17 na edição on-line e posteriormente na versão impressa da revista Current Biology. Duas populações da espécie, sobre a qual havia relatos, foram encontradas durante recente expedição dos pesquisadores. “Sabíamos que seria preciso muita sorte apenas para encontrá-lo, pois há 30 anos que muitos têm tentado”, disse David Bickford, da Universidade Nacional de Cingapura.

Barbourula kalimantanensis

Sobre a espécie existiam relatos, mas nenhuma confirmação de existência. “Mesmo quando o achamos e fizemos as primeiras dissecações – lá mesmo no campo –, confesso que não acreditava que ele não tivesse pulmões. É algo que não parecia possível. Por isso, foi uma grande surpresa descobrir que era verdade para todos os espécimes que encontramos”, contou Bickford. De todos os tetrápodes, vertebrados terrestres com quatro membros, sabe-se que a ausência de pulmões ocorre apenas em anfíbios. São conhecidas algumas espécies de salamandras sem o órgão, além de uma de cobra-cega. Para os autores do estudo, a descoberta em uma rara espécie de sapo em Bornéu reforça a idéia de que pulmões sejam uma característica maleável nos anfíbios.

Floresta da Indonésia

Como o B. kalimantanensis vive em água corrente e fria, a ausência de pulmões poderia ser uma adaptação para uma combinação de fatores, como um meio com mais oxigênio, o baixo metabolismo do animal, o achatamento do corpo que aumenta a área superfícial da pele e a preferência por afundar em relação a boiar. Os pesquisadores alertam que estudos futuros dessa notável espécie podem ser prejudicados pela sua raridade e pela ameaça de extinção. Por conta disso, eles pedem que sejam tomadas medidas para encorajar a conservação do anfíbio em seu hábitat natural.

Fonte: Terra da Gente

Sunday, February 24, 2008

Ciência

Peixe ornamental contará com programa do Governo Federal

Mais de US$ 500 milhões. Cerca de 1 bilhão de peixes de aproximadamente 4 mil espécies continentais e 1400 espécies marinhas. É o que movimenta no mundo o comércio de peixes ornamentais. Pequenas belezas dos rios e mares transformadas em animais de estimação. O Brasil, país rico em belezas naturais, é um dos mais importantes fornecedores de espécies do clima tropical, mas convive com uma série de problemas, entre eles a criminalização da atividade, a exportação irregular e a pesca predatória.
Paracheirodon axelrodi
Para debater essas questões e anunciar medidas para o ordenamento e desenvolvimento da atividade no País, o ministro da pesca e da aqüicultura, Altemir Gregolin, realizou em janeiro o Encontro dos Pescadores Artesanais de Barcelos-AM – evento que integra a programação do Festival de Peixes Ornamentais - um dos mais importantes do setor. O diretor de ordenamento controle e estatística da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca do Governo Federal (Seap), Mauro Rufino, também participa do evento e apresentará ações e programas do governo para a pesca e cultivo de peixes artesanais. Entre elas a melhoria da infra-estrutura de produção e a necessidade de alfabetização e capacitação dos pescadores. Ações voltadas à pesquisa com peixes ornamentais também devem ser apresentadas. O governo está formulando e pretende implementar o Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento da Aqüicultura Ornamental.


Symphysodon discus
No Brasil a maior parte dos peixes ornamentais é proveniente de capturas. O Norte do Pais é pioneiro na pesca e comércio desses animais. Os primeiros registros da atividade datam de 1930. Atualmente os peixes de captura são os mais exportados, enquanto os de cultivo são mais presentes no mercado interno. No mercado interno também são mais comuns os peixes de origem continental. O comércio de peixes marinhos é considerado mais elitista, uma vez que os custos para manutenção dos aquários são maiores.


Pterophyllum scalare
É permitido pela legislação brasileira o extrativismo para fins ornamentais de 172 espécies de águas continentais e 135 marinhas. A produção de aqüicultura de peixes ornamentais no País é quase totalmente voltada para espécies de águas continentais e para o mercado interno, principalmente fornecendo para São Paulo e Rio de Janeiro.


Corydoras britskii

Tradicionalmente, as espécies de águas continentais representam um volume de comercialização superior ao de espécies marinhas. Do volume total comercializado, cerca de 90% é representado por espécimes de águas continentais e 10% por espécimes marinhos. No mundo os maiores fornecedores de peixes ornamentais são: Cingapura, República Tcheca, Estados Unidos, Hong Kong, Japão, Indonésia, Filipinas, Malásia, Israel e Marrocos. Na América do Sul, que representa em torno de 6% do total exportado mundialmente, os países mais representativos são a Colômbia, o Brasil e o Peru, que juntos exportam 96% dos peixes ornamentais desse Continente. O Brasil é o segundo maior exportador da América do Sul, e o décimo sétimo no ranking global em 2005, tendo exportado nesse ano, mais de US$ 4 milhões.

Fonte: SEAP