Showing posts with label Descoberta. Show all posts
Showing posts with label Descoberta. Show all posts

Tuesday, February 24, 2009

O mistério do Macropinna microstoma

Pesquisadores do Instituto de Preservação do Aquário da baia de Monterey desvendaram um mistério de meio século sobre os peixe com olhos tubulares e uma cabeça transparente. Desde que o Macropinna microstoma de foi descrito em 1939, os biólogos marinhos sabiam que seus olhos tubulares eram muito bom na captação de luz. Entretanto, um novo papel foi descoberto por Bruce Robison e Kim Reisenbichler, que mostram que esses olhos incomuns podem girar dentro do protetor transparente que "cobre" a cabeça do peixe. Isto permite que o Barreleye (Olhos Tubulares - nome popular) possa olhar para cima e também focalizar o que esta em sua frente quando está comendo. A descrição da espécie não mostrava essa característica, e os autores acreditam que esta é uma estrutura frágil e seria destruída no momento em que os peixes foram trazidos à superfície nas redes. Diversas espécies dos peixes abissais na família Opisthoproctidae são chamadas " Barreleyes" porque seus olhos possuem forma tubular.

Macropinna microstoma

Embora os olhos tubulares sejam muito bons em coletar luz, eles têm um campo muito estreito de visão. Além disso, até aqui, a maioria dos biólogos marinhos acreditam que os Barreleye possuem seus olhos fixos em sua cabeça, que permitiriam que olhassem somente para cima. Isto seria impossível para este peixe conseguir ver diretamente na frente dele, e muito difícil para que capture seus alimento com sua boca pequena.
Robison e Reisenbichler usaram veículos comandados à distância (ROV) para estudar os Barreleyes nas águas profundas do mar da Califórnia central. Em profundidades de 600 a 800 metros (2.000 a 2.600 pés) abaixo da superfície, as câmeras de ROV mostraram estes peixes em suspensão imóvel na água, seus olhos emitiam um verde vívido no ROV. O vídeo do ROV igualmente revelou a característica não descrita destes peixes, seus olhos são cercados por um protetor transparente, um fluido que cobre a parte superior da cabeça do peixe. A maioria das descrições e ilustrações existentes deste peixe não mostram seu protetor, provavelmente porque esta estrutura frágil foi destruída quando os peixes foram trazidos para a superfície.


Macropinna microstoma

Entretanto, Robison e Reisenbichler conseguiram trazer um Barreleye vivo ate a superfície, onde sobreviveu por diversas horas em um aquário a bordo do navio. Dentro deste ambiente controlado, os investigadores podiam confirmar que tinham visto no vídeo do ROV, os peixes giravam seus olhos tubulares enquanto virava seu corpo da posição horizontal a uma posição vertical.
Os Barreleyes têm uma variedade de outras adaptações interessantes à vida do alto mar. Suas grandes nadadeiras lisas permitem que eles fiquem quase imóveis na água, e manobrar muito precisamente seus movimentos; suas bocas pequenas sugerem que sejam muito preciso e seletivo em capturar suas presas; e seus sistemas digestivos são muito grande, o que sugere que possa comer uma grande variedade animais.

Macropinna microstoma

Os autores acreditam que o Macropinna microstoma emita os pigmentos verdes para facilitar a visualização de medusas, um de seus alimentos, as quais são bioluminescentes. Na maioria das vezes o peixe fica a maior parte imóvel na água, esperando as medusa que derivam acima de sua cabeça, as quais iram aparecer através da sua luz emitida.

Distribuição de Macropinna microstoma


Para mais informações:
Robison, B.H.; Reisenbichler, K.R. Macropinna microstoma and the paradox of its tubular eyes. Copeia. 2008, No. 4, December 18, 2008.

Monterey Aquarium


Sunday, September 14, 2008

História da descoberta do Tetra Cardinal e Prêmio

História da descoberta do Tetra Cardinal

Mistério
Autor de uma extensa pesquisa sobre a questão social em torno dos peixes ornamentais do Médio Rio Negro e integrante do Projeto Piaba, Gregory Prang descreve mistérios que envolvem a descoberta do cardinal tetra.
Tudo começou com rumores, no início da década de 1950, de que um “novo neon” teria sido descoberto na bacia do Amazonas. Numa carta de 1953 para um colega alemão, um pesquisador do Instituto Agronômico do Norte em Belém, Harald Siole, relatou que percebera lindos peixinhos brilhantes nas águas marrons do rio Negro, que inicialmente pensou serem neon tetras (Hyphessobrycon innesi).

Paracheirodon innesi

Comentou o fato com pelo menos duas pessoas, Dietrich Horie, de Belém, que trabalhava com a Paramount Aquarium, e o Capitão Mauro, piloto da Panair entusiasmado por peixes ornamentais, que fazia vôos semanais para a região. Este último, teria dito que já tinha pedido a índios encontrarem este peixinho para ele.
A história diz que o Capitão vendia cardinais para colecionadores paulistanos e cariocas em 1957. Mas um depoimento da alemã Amanda Bleher indica a existência destes peixinhos em São Paulo, já em 1953. Ela foi a primeira pessoa que levou esta espécie para a Europa.

Duplicidades
Mais um mistério: em 1956, os primeiros cardinais chegaram aos EUA, porém há dúvidas sobre quem foi o autor da proeza: Fred Cochu, do Paramount Aquarium, ou Herbert Axelrod, a quem muitos atribuem não apenas este feito, como também a descoberta do cardinal tetra para o mundo. Numa carta pessoal que Prang localizou, Axelrod diz saber que seus concorrentes jamais revelariam de onde tiraram o cardinal.
A duplicidade não para aí. Em 1956, duas revistas especializadas publicaram simultaneamente descrições do nosso peixinho, conferindo-lhes dois nomes científicos diferentes. A comissão de nomenclaturas zoológicas teve de ser acionada, e acabou por optar pelo nome: Cheirodon axelrodi.

Paracheirodon axeroldi

O exato ponto onde viviam os peixinhos permaneceu um mistério. Prang localizou um documento justificando o fato: se se revelasse de onde vinham os cardinais, 159 outros importadores iriam encontrá-lo, quebrando a exclusividade da Paramount e, com isso, o valor comercial.
Prang conclui que, apesar de hoje se dizer que Axelrod descobriu o cardinal, foi Harald Sioli quem o localizou, numa época em que os próprios exploradores coletavam os peixes, vendendo o que conseguiam carregar.
Só no final da década de 1950, informa a pesquisa, o comércio começou a se organizar de uma nova forma, aproveitando-se sempre das linhas aéreas que ligavam Mauaus aos EUA.

Mudança no Sistema extrativista
Axelrod teve um papel importante para o crescimento do setor. Em 1958, o indianista Harald Schulz, apresentou-lhe Hans Willy Schwartz, com quem Axelrod se associou para fundar a primeira empresa de exportação formal, Aquário Rio Negro, em Manaus, que hoje existe com outro nome: é a Turkys, do atual presidente da Acepoam (associação local dos exportadores).
Se a criação do escafandro, por Jacques Cousteau, foi fundamental para incrementar exploração do fundo do mar (facilitando, para a decepção do inventor, até sua super-exploração), a descoberta de alguns instrumentos impulsionou o comércio internacional dos ornamentais, como o uso de saco plástico para transportá-los, onde, além da água, insere-se um suplemento de oxigênio.

Paracheirodon simulans

Mais um dado interessante do estudo de Prang: o início do ciclo de coleta de cardinais na Amazônia coincidiu com a decadência da exploração do látex na Amazônia. Para as famílias que não deixaram a região, a extração de piabas transformou-se em perspectiva de renda.
Pagava-se pouco ao piabeiro, mas não mais como no antigo sistema de aviamento, quando havia um único comprador para o produto, que também era dono da venda, comercializando produtos básicos por preços exorbitantes.
Segundo Prang, o piabeiro - apesar de sempre receber muito pouco pelo produto de sua coleta - deixou de ser obrigado a vender para um único comprador, e a fazer suas compras do dia-a-dia na venda deste intermediário, como ocorre em regime de semi-escravidão. “Muitas vezes, o intermediário que compra do piabeiro para vender em Manaus é parente de quem coleta os peixinhos”, complementa o professor Ning Chao, apresentando mais uma faceta desta complexa atividade.

Fonte: AIPA
_____________________________________________________________________

Prêmio

Recebi da grande amiga e bióloga Renatinha o selinho Blog de Ouro 2008


Repasso a amiga Mirian do Blog Gente Sem Saúde!