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Thursday, January 7, 2010

Mudança no padrão de coloração e comportamental em Apistogramma hyppolytae

O estudo foi realizado entre abril e setembro 2005, em uma lagoa perto da estação de pesquisa da exploração agrícola de Dimona (2°20'25.5114” S 60°6'5.7594” W), a 70 quilômetros ao norte de Manaus. A área é parte da bacia de rio de Cuieiras, um tributário do rio do negro. 

Apistogramma hippolytae - foto: David Soares


A lagoa estudada (aproximadamente 40 m comprimento - 14 m largura e 0.5 m profundidade) se formou a aproximadamente a 15 anos atrás, devido o represamento parcial de um igarapé da floresta para a construção de uma estrada local nunca terminada. A parte inferior da lagoa é coberta por uma camada grossa sedimentos finos e folhas submersas em decomposição (~80%), e por troncos e galhos (~20%). A lagoa é cercada por floresta tropical primária e secundária, fazendo um mosaico de árvores e arbustos que pendem sobre as margens da lagoa e contribuem com matéria orgânica ao sistema aquático.
Observações subaquáticas usando snorkel foram realizadas para verificar o comportamento dos ciclídeos anões, totalizando 18 horas dos registros. A observação individual durou aproximadamente 15 segundos e incluiu todo tipo de atividade (alimentação, descanso, exposição agonística (competição), exposição sexual , ataque ou fuga), sexo, idade (juvenis ou adultos), tamanho estimado dos indivíduos (quando envolvido em  interações intra ou interespecificas), e seu teste padrão da coloração. Os dados foram colhidos por um único observador, onde o mesmo permanecia imóvel a certa distância, para evitar pertubar os peixes. Os padrões de coloração foram caracterizados seguindo Baerends & Baerends van-Roon (1950) and Römer (2001), descrevendo a cor geral do corpo e a acentuação na presença de faixas, listras e manchas escuras na cabeça e corpo dos indivíduos (Fig. 1). Cinco diferentes padrões de coloração do corpo foram gravados em A. hippolytae, baseados em variações na intensidade de pontos e barras exibidos (figs. 2 e 3). Além destes cinco padrões, apresentaram padrão de coloração exclusiva de reprodução e proteção de ovos e alevinos. 
 Fig. 1 - Principais marcas usadas na descrição da coloração de Apistogramma hippolytae.
 
O padrão de coloração mais comum foi caracterizado pela cor de fundo prateada-esverdeada, com a mancha lateral e listra suborbital ausente ou fraca (figs. 2 a-b). Este teste padrão era chamado “liso” e foi observado principalmente quando os indivíduos estavam se alimentando (90%, n = 523 ocorrências; Fig. 3). No segundo – o padrão de coloração mais comum, chamado “listra-ponto” (Figs. 2c-d), onde o animal tornava-se pálido, com uma listra lateral conspícua (notável), mancha lateral e ponto caudal. Os olhos tornaram-se mais escuros, a listra suborbital apresentava-se fraca ou ausente, e a lateral as barras nos flancos tornaram-se visíveis. Este teste padrão foi encontrado principalmente quando os indivíduos estavam acima do substrato (em descanso, 89%, n = 406; Fig. 3); quando perturbado por um movimento repentino próximo, pela presença de um predador ou quando envolvidos em eventos de perseguição/agressão (fuga, 32%, n = 34). Este padrão de coloração foi observado raramente em grandes machos (maiores que 60 milímetros de comprimento padrão). O padrão de coloração “cara-pintada” (figos. 2e-f) possuía cor de fundo prateada-esverdeada sem pontos ou listras, à exceção de uma listra suborbital conspícua. Foi registada principalmente em grandes indivíduos, imediatamente antes da execução da agressão intra ou interespecifica (61%, n = 36; Fig. 3). O padrão de coloração “barrado” (Fig. 2g) foi caracterizado por um aumento geral na intensidade e no contraste das cores do corpo, com a presença de uma conspícua barra vertical marrom escura nos flancos. Um aumento no brilho do olho era igualmente notável. Este padrão de coloração foi observado somente em cinco ocasiões, quando os indivíduos se exibiam em competição (Fig. 3). Os machos que se exibiam na corte (Fig. 3) apresentaram um padrão de coloração típica, chamada de “brilho”. Este padrão é similar ao “barrado” (Fig. 2h), mas difere na ausência de barras laterais e por um aumento na intensidade e no contraste da coloração na região ventral. As fêmeas com cuidado parental exibiram um padrão de coloração único, com os primeiros raios das nadadeiras pélvicas e dorsais bem negros. Geralmente a mancha lateral, a listra suborbital e o ponto na nadadeira caudal eram bem conspícuos (notáveis), e a listra lateral era ausente ou praticamente ausente (Fig. 2i). A coloração esverdeada era totalmente substituída por um tom amarelo intenso (Fig. 2j). 
Fig. 2 -  Padrões de coloração de Apistogramma hippolytae. a-b = “liso”; c-d = “listra ponto”; e-f = “cara-pintada”; g = “barras”; h = “brilho”; i-j = Fêmea em cuidado parental. Fotos (b), (d), e (h) J. Zuanon; (f) modificada de Römer (2001); e (j) de F. Mendonça.

As mudanças de coloração ocorreram rapidamente (em alguns segundos). Por exemplo, quando macho grande atacava um intruso, ele mudava do padrão “cara-pintada” para o padrão “liso” em menos de 20 segundos. Quando uma exibição de competição ocorria, o peixe envolvido mudava do padrão “liso” para o padrão “barrado”, e após executar o comportamento retornava ao padrão “liso” em menos de 30 segundos. Para as fêmeas com cuidado parental, o tempo para mudar de coloração era bem mais longo. As mudanças rápidas no padrão de coloração é uma característica comum dos ciclídeos, devido à posição superficial dos cromatóforos, produzindo as marcas características de cada padrão de coloração. O padrão de coloração “liso” constitui provavelmente uma coloração enigmática, permitindo que os peixes sejam confundidos com o fundo da lagoa que é composto por restos orgânicos. Era o padrão de coloração mais observado, ocorrendo principalmente quando os peixes estavam se alimentando sem serem pertubados. Römer (2001) relaciona tal padrão de coloração com um modo neutro, calmo. De fato, distúrbios no ambiente foram seguidos geralmente pela mudança para o padrão de coloração “listra-ponto”. A presença de barras verticais como padrão de coloração também foram descritos para outros ciclídeos, associando um comportamento de fuga e submissão. A combinação de pontos, listras e barras, foram associadas com a redução da intensidade de coloração, parecendo constituir um padrão de coloração disruptivo (tenso), permitindo que os peixes permaneçam despercebidos para predadores potenciais. Não obstante, mais de 65% dos peixes observados em fuga após algum distúrbio, mostraram o padrão de coloração “liso” (Fig. 3). 

Fig. 3 - Frequência da ocorrencia dos cinco padrões de coloração em Apistogramma hippolytae

 Isto pode ser explicado pelo fato que a maioria vasta dos ataques observados (e das repsotas de fugas) resultaram das interações agressivas feitas por indivíduos maiores de A. hippolytae durante a alimentação, e não nas tentativas de predação. Nesses casos, o indivíduo atacado se afastava poucos centímetros e não era molestado. Entretanto, perseguições feitas pelo Jacundá (gênero Crenicichla), causavam distúrbios repentinos no ambiente, seguidos imediatamente pela mudança no padrão de coloração para o padrão “listra-ponto”. Este padrão de coloração era igualmente indicado por fêmeas durante a corte e pode indicar uma forma de submissão, evitando ataques contínuos de machos agressivos. A listra suborbital muito conspícua no padrão de coloração “cara-pintada” parece representar o sinal principal da agressão, e foi indicado igualmente pelas fêmeas que se encontravam em cuidado parental. O padrão de coloração descrito por Römer (2001) para indivíduos ligeiramente agressivos, não concorda com nossas observações, pois o autor menciona que o padrão de coloração “cara-pintada” é predominante entre os peixes prisioneiros. Nossas observações indicam que tal padrão de coloração é comum no ataque de peixes maiores e imediatamente antes do ataque por co-específicos. Isto representaria uma coloração de advertência, indicando uma iminente interação agonística. “O padrão de coloração “brilho” e “barrado” mostraram um aumento considerável na intensidade da coloração de fundo no corpo, que poderia estar relacionada à prontidão reprodutiva e ser empregada durante a corte ou nas disputas para fêmeas. A cor amarela das fêmeas em cuidado parental é uma característica das espécies do gênero Apistogramma, aumentando a intensidade das manchas e dos pontos. A combinação de marcas amarelas e negras é reconhecida como um dos padrões de coloração de advertência nos animais e pode ser relacionado à agressividade de fêmeas nesse período. As marcas negras conspícuas nas nadadeiras especialmente nas pélvicas, acredita-se que estejam relacionadas à comunicação da mãe com sua prole. Nas águas rasas e desobstruídas habitadas pelo ciclídeo anão Apistogramma hippolytae, as mudanças no padrão de coloração foram sugeridos para ser um sistema de comunicação muito eficiente, evitando a perda de energia em interações desnecessárias. 

Os estudos que examinam os mecanismos fisiologicos ou o contexto evolucionário envolvidos na mudança da cor e da expressão dentro das espécies de Apistogramma pode ajudar a explicar o aspecto geral da história natural dos ciclídeos anão.

Para saber mais:

RODRIGUES, R. R.; CARVALHO, L. N.; ZUANON, J.; DEL-CLARO, K. Color changing and behavioral context in the Amazonian Dwarf Cichlid Apistogramma hippolytae (Perciformes) Neotropical Ichthyology, v. 7, ed. 4, pag. 641-646


Adaptado e traduzido por Ricardo Britzke © Copyright 2010 © 

Saturday, January 10, 2009

Hematologia de peixes Teleósteos

Fatores que Interferem na Hematopoiese.

A água com pH alcalino induz a redução do número de eritrócitos e de neutrófilos maduros no rim e no baço, enquanto os hemoblastos linfóides e os reticolócitos aumentam com o grau de acidez e com o tempo de exposição.


Origem e desenvolvimento das células sanguíneas nos peixes teleósteos.

Downey (1909) – estudando o tecido renal de Polyodon spathula, observou pequenos e grandes linfócitos assim como monócitos e concluiu que os linfócitos se desenvolveriam formando os pequenos monócitos.

Jordan & Speidle (1924) – propuseram a idéia de que o linfócito seria a célula fonte pluripotente para todos os tipos de células sanguíneas, denominada teoria monofilética.
Duthie (1939) – propôs que uma célula pluripotente denominada grande hemoblasto linfóide originaria os granulócitos por transformação direta. Após divisão mitótica formaria os pequenos hemoblastos linfóides, os quais originariam os eritrócitos, trombócitos e linfócitos.



Catton (1951) – Considerou que o grande hemoblasto linfóide, derivado da transformação de células reticulares, seria o precursor dos granulócitos enquanto os pequenos linfóides originados de células endoteliais seriam os precursores dos eritrócitos, linfócitos e trombócitos.




Características hematológicas de peixes teleósteos.




O tamanho e o número dos eritrócitos refletem a posição na escala evolutiva. Os maiores eritrócitos, e o seu menor número, são observados em vertebrados primitivos na escala zoológica (Wintrobe 1934). Os agnatas possuem eritrócitos de maior tamanho quando comparados aos cartilaginosos e osteíctes e isso pode ser considerado característica primitiva entre os vertebrados aquáticos.




Tandon & Joshi (1976) – Estudando os eritrócitos de 33 espécies de teleósteos de 23 gêneros, pertencentes a 13 famílias dos dulciaqüícolas concluíram que as espécies de menor porte, geralmente, possuem menor quantidade de eritrócitos que as maiores. No entanto, as espécies menores tem hábitos relativamente ativos, indo de um local a outro e de alto a baixo, sendo sua demanda de oxigênio compatível com sua quantidade de eritrócitos. Peixes adaptados a baixos níveis de oxigênio exibem elevados valores de hematócrito, concentração de hemoglobina e número de eritrócitos, provavelmente para carrear mais eficientemente o pouco gás disponível.




Leucócitos




São as células brancas do sangue responsáveis pela defesa do organismo. Os mesmos podem variar de tamanho, podendo assemelhar-se a linfócitos ou pequenos monócitos. Quando imaturos recebem diferentes denominações: hemoblastos, células blásticas, hemoblastos linfóides e células imaturas.


Linfócitos, neutrófilos, monócitos, eosinófilos e basófilos são os leucócitos, usualmente observados na circulação dos peixes.. Não existe diferença na formação das células sanguíneas de peixes teleósteos dulcícolas e marinhos, e comparando os mesmos com aves e mamíferos, todos são iguais.




Linfócitos




São células predominantemente arredondadas, de tamanho variado, com o citoplasma basofílico e sem granulações visíveis. O núcleo possui forma arredondada, cromatina densa, sendo elevada a sua relação com o citoplasma. Os linfócitos, em geral, apresentam projeções citoplasmáticas, o que facilita diferencia-los dos trombócitos nas extensões sanguíneas. Entre os leucócitos, os linfócitos ocorrem em maior porcentagem na circulação dos peixes das famílias: Anostomidae, Pimelodidae, Erythrinidae, Ictaluridae, Characidae, Prochilodontidae, Cichilidae, Mugilidae e Cyprinidae.





Durante a contagem diferencial de leucócitos é comum a observação de linfócitos com tamanhos distintos, classificados em pequenos ou grandes. Os linfócitos pequenos possuem receptores de superfície para eritrócitos, sendo análogos aos linfócitos T dos mamíferos. Os linfócitos grandes são análogos aos linfócitos B dos mamíferos, apresentando imunoglobulinas de superfície e a capacidade de citoaderência ao organismo invasor. Já as células Natural Killer dos mamíferos, correspondem as células linfóides dos peixes.




Plasmócitos




Caracterizam-se por apresentarem grande quantidade de retículo endoplasmático e complexo de Golgi bem desenvolvido. Estão presentes tanto no sangue como nos tecidos hematopoiéticos. Curiosamente, sob microscopia comum, os plasmócitos são caracterizados por possuir núcleo esférico e citoplasma abundante.


São raramente observados na circulação de peixes, e sua existência é contestada por diversos autores




Neutrófilos






Nos peixes teleósteos os neutrofilos são arredondados,, e seu citoplasma possui granulações acidófilas muito finas. O núcleo apresenta forma de bastonete, com a cromatina nuclear pouco compactada e sem nucléolo visível.


Os neutrófilos possuem grande quantidade de peroxidase, uma enzima lisossômica presente em células fagocíticas e que promovem a oxidação de certos compostos pelo peróxido de hidrogênio no processo de fagocitose.Eles podem aderir às células endoteliais e transmigrar para o foco inflamatório atraídos por quimiotaxinas. Os imunoestimuladores e os adjuvantes aumentam a mobilização enzimática e a atividade fagocítica dos mesmos.




Monócitos


Seu citoplasma possui grande quantidade de mitocôndrias e vacúolos, algum retículo endoplasmático e complexo de Golgi; sendo considerados verdadeiras células em trânsito no sangue periférico. Realizam reação inflamatória e resposta imunológica nas quais ocorre a fagocitose, sendo de extrema importância nos mecanismos de defesa do hospedeiro. São descritos tanto para peixes teleósteos quanto cartilaginosos.



Além da atividade fagocitária, os monócitos possuem habilidade citotóxica não-específicas, apresentando um aumento da atividade fagocítica de antígenos bacterianos,sendo induzida pela liberação de fatores ativadores de macrófagos através da inoculação dos patógenos mortos ou de seus produtos.
Célula granulocítica especial





Geralmente grandes e muito semelhantes aos neutrófilos. O núcleo é pequeno, excêntrico,com a cromatina densa e não se observa a presença de nucléolo. O retículo endoplasmático granular é bem desenvolvido, apresentando cistemas longas e curtas. A quantidade de ribossomos livres é grande, enquanto a de mitocôndrias é pequena.



Também é conhecido como Leucócito Granular PAS- positivo, por ser precursora do basófilo e do mastócito. Sua função, assim como os demais leucócitos, não está bem esclarecida. Sugere-se que tal granulócito seja mais freqüente em peixes portadores de parasitoses.




Eosinófilos




Apresentam-se como células arredondadas e relativamente pequenas. O citoplasma é escasso e ocupado por grânulos de coloração alaranjada evidenciada por corante ácido-básico. O núcleo é geralmente excêntrico e ocupa grande parte da célula. Os eosinófilos muitas vezes estão ausentes no sangue periférico dos peixes mas quando aparecem apresentam freqüência relativa baixa.





* Em peixes as funções dos esosinófilos ainda estão por ser esclarecidas. Existem relatos que os mesmo possuem função microbicida e fagocitária de bactérias.




Basófilos




Apresentam células arredondadas, com núcleo excêntrico, pouca cromatina e nucléolo difícil de observar. Seu citoplasma é irregular, com grandes projeções citoplasmáticas e grande quantidade de mitocôndrias e ribossomos. Não ocorre no sangue circulante, é encontrado no rim cefálico e raras vezes no baço.


No sangue periférico, comportam-se como os mastócitos dos tecidos, apresentando grânulos ricos em histamina, que são receptores de alta afinidade para a porção Fc da IgE, liberados na anafilaxia. Ainda sua função não esta toda esclarecida, mas os mesmos apresentam resposta alérgica e imunológica.




Trombócitos




Comparando com as plaquetas dos mamíferos que são anucleadas, os trombócitos de peixes são células completas. Possuem células elípticas com núcleo fusiforme, e se diferenciam dos linfócitos graças a sua intensa vacuolização.

Tanto em peixes marinhos quanto dulcícolas, possuem a função de defesa do organismo,através da atividade fagocítica, podendo ser hemostática e homeostática. Também possuem a função semelhante as plaquetas dos mamíferos, reduzindo a predisposição a infecções.






Referências Bibliográficas




TAVARES-DIAS, M.; MORAES, F. R. Hematologia de peixes teleósteos, 144 pag., 2004
Adaptado por Ricardo Britzke
©
Copyright 2009 ©

Thursday, November 20, 2008

Estratégias reprodutivas dos peixes do Pantanal

Para os peixes do Pantanal foram identificadas quatro estratégias reprodutivas. A primeira refere-se aos peixes de piracema ou migradores, que realizam longas migrações ascendentes para a cabeceira dos rios para a desova, de Novembro a Fevereiro e retornam posteriormente para a planície de inundação, onde se alimentam e se recuperam do desgaste energético da viagem e acumulam reservas para o próximo período reprodutivo.


Hyphessobrycon eques

O segundo grupo é composto por aqueles que desovam em planície e que realizam pequenas movimentações transversais, saindo da planície de inundação e entrando para o canal principal do rio para se reproduzir na época das enchentes. O terceiro e quarto grupos são constituídos por espécies residentes que se reproduzem na seca ou na enchente/cheia na própria planície de inundação.
A maioria das espécies de peixes do Pantanal enquadram-se na categoria de espécies residentes que se reproduzem na seca ou na enchente. Como as espécies residentes resolvem as restrições ao sucesso reprodutivo como a predação na seca e as condições deficientes de oxigênio na enchente/cheia?
Dessas espécies residentes, cerca de um quarto apresentam cuidados parentais para proteção da prole e pertencem às famílias Erythrinidae (traíras), Serrasalmidae (piranhas), Gymnotidae (tuviras), Callichthyidae (camboatás), Loricariidae (cascudos, rapacanoas) e Cichlidae (carás, joana-guensa).
No caso da traíra, Hoplias malabaricus, foram observados adultos cuidando dos ovos depositados em escavações em áreas rasas durante a enchente. Para as espécies de piranhas dos gêneros Serrasalmus e Pygocentrus, a literatura cita que os pais cuidam dos ovos que são depositados nas raízes das macrófitas durante a cheia. No caso das tuviras como, Gymnotus inaequilabiatus a reprodução ocorre na cheia e o macho cuida dos ovos e da prole recém eclodida.

Hoplias malabaricus

Entre os camboatás, são conhecidas espécies que fazem ninhos de espuma, onde depositam os ovos e exercem vigilância sobre os mesmos, geralmente no período da enchente. Na família Loricariidae, foi observado que os machos de Loricariichthys platymetopon (rapacanoa) carregam os ovos em uma expansão da porção do lábio superior. Mesmo após a eclosão, os jovens permanecem aglomerados nessa expansão por algum tempo. O cascudo preto, Liposarcus anisitsi, reproduz-se na cheia. O macho escava buracos/tocas no fundo ou na barranca do rio onde os ovos são colocados e cuidados até a eclosão. Alguns barrancos do rio Paraguai, nas proximidades de Corumbá, mostram muitos buracos/tocas, visíveis na seca, possivelmente escavados pelos cascudos. Cascudos escavando o fundo e as laterais de um aterro foram observados no baixo rio Miranda, onde a água apresentava uma boa visibilidade.A cheia é um período em que o oxigênio dissolvido está baixo em decorrência da decomposição da vegetação alagada. Possivelmente, como Liposarcus possui respiração aérea acessória, os machos tomam o ar atmosférico e liberam o ar nas câmaras de incubação, garantindo o oxigênio necessário a essa fase de desenvolvimento. Tanto em G. inequilabiatus como em L. anisitsi, os machos não mostram um grande crescimento dos testículos como é observado na maioria das espécies. Estará isso associado ao fato de cuidarem da prole ou mesmo ao tipo de fertilização que efetuam?

Pygocentrus natereri

As questões de ordem ambiental envolvem uma legislação que seja ao mesmo tempo capaz de promover a conservação ambiental e o uso dos recursos naturais para produção. O atendimento às normas legais é dificultado pela pulverização dos entes federativos que necessitam ser consultados para a implantação da atividade.
Os Cichidae, popularmente conhecidos como carás ou acarás, reproduzem-se na seca, onde geralmente os machos cuidam dos ovos depositados em ninhos ou mesmo após a eclosão, colocando os juvenis na cavidade bucal por ocasião de uma possível predação. Muitas dessas espécies depositam ovos mais de uma vez durante um ciclo reprodutivo. Para as espécies residentes, sem cuidados parentais, como a corvina, Plagioscion ternetzi, as estratégias reprodutivas para serem bem sucedidas são desconhecidas. A literatura cita que a reprodução é evitada no período seco quando há a concentração dos peixes nos ambientes aquáticos mais reduzidos e a predação é inevitável mesmo que a disponibilidade de alimento seja elevada.

Crenicichla sp.

Um fator a favor são as altas temperaturas do período que favorecem o desenvolvimento e eclosão rápida dos ovos (para muitas espécies, ao redor de 24h) o que poderia reduzir a predação para as espécies residentes que se reproduzem nesse período. Na enchente/cheia, as condições da qualidade de água podem não ser as melhores, mas a possibilidade de predação seria mais reduzida, período que deve ter sido adotado por muitas espécies residentes de pequeno porte para reprodução. A maior parte das espécies pertencentes à categoria de migradores de longa distância é composta por espécies de médio a grande porte como a pacu-peva, Mylossoma orbygnianum, os armados, Oxydoras kneri e Pterodoras granulosus, o pacu, Piaractus mesopotamicus, o dourado, Salminus brasiliensis, e o pintado, Pseudoplatystoma corruscans dentre outras. Reproduzem-se nos trechos superiores dos rios no período das chuvas, geralmente de novembro a fevereiro.

Liposarcus anisitsi

Os migradores de curta distância realizam pequenos movimentos entre a planície de inundação (baías, lagos, corixos) e a sua conexão com o rio entre o final do período da seca e o início da enchente. Muitas espécies ficam aglomeradas nas “bocas” de baías ou corixos aguardando as chuvas ou o início da enchente para se reproduzir, ou realizam migrações ascendentes de curta distância para se reproduzir em águas turvas e bem oxigenadas do canal do rio.A esta categoria pertencem algumas espécies de pacu-peva como Metynnis maculatus, Metynnis mola, Myloplus
levis, os pequenos lambaris dos gêneros Astyanax e Moenkhausia, e algumas espécies da família Anostomidae como os piaus, Leporinus lacustris e Leporinus striatus.

Leporinus friderici

O sairu-boi, (Potamorhina squamoralevis) é muito interessante, pois parte da população realiza curtas migrações das baías e corixos até a boca do canal principal para se reproduzir e parte da população migra até próximo aos trechos superiores desses mesmos rios para se reproduzir. Seria ela uma espécie que está em transição entre migradora de curta para de longa distância?
Enfim, são muitas as estratégias reprodutivas de peixes de ambientes inundáveis, estratégias essas que propiciam diferentes formas de aproveitamentos dos habitats disponíveis ao longo de um ciclo hidrológico ou pulso de inundação.

Moenkhausia oligolepsis

Por Emiko Kawakami de Resende - Boletim SBI

Thursday, October 16, 2008

Ciência

Fóssil traz pistas sobre a transição da vida para a terra

Os primeiros animais a sair dos oceanos para colonizar a terra firme não só trocaram nadadeiras por patas, mas também tiveram de adaptar os ossos da cabeça para a vida na superfície.É o que mostra um novo estudo dos fósseis do peixe Tiktaalik roseae, realizados desde 2004 na Ilha Ellesmere, no ártico canadense, e publicados na edição desta semana da revista Nature.
A equipe de cientistas, dirigida por Ted Daeschler, da Academia de Ciências naturais de Filadélfia, e Neil Shubin, da Universidade de Chicago, examinou em detalhes os ossos da cabeça desse animal, que viveu há cerca de 375 milhões de anos.
O tiktaalik era um peixe com pulmões, predador, mas com características bem particulares: tinha brânquias, escamas e espinhos nas nadadeiras, mas crânio, costelas e apêndices semelhantes aos dos primeiros animais quadrúpedes.
O tiktaalik é considerado um fóssil de transição entre mar e terra. De grandes proporções - media de 1 metro a 2,75 metros - e com cabeça e corpo planos, acredita-se que vivia em águas rasas e caminhava sobre a terra por curtos períodos.


De acordo com o principal autor do novo estudo sobre o fóssil, Jason Downs, as características craniais dos animais terrestres foram, primeiro, adaptações à vida em águas rasas. A caixa craniana, o palato e os arcos branquiais do tiktaalik, disse o cientista, ajudam a ver como se deram essas transformações.
As mudanças, complexas, levaram a uma reestruturação completa dos ossos da cabeça e da relação ente eles. Um exemplo é o osso que, nos peixes, conecta a caixa craniana, o palato e as brânquias, coordenando os movimentos para comer e respirar.

Com a mudança de hábitat, essa peça, o osso hiomandibular, perdeu sua função original. Hoje, nos mamíferos, ele se converteu no estribo, um dos ossos do ouvido interno. No tiktaalik, esse ossos já aparece bem reduzido, diz Downs.

Fonte: Estadão

Wednesday, August 15, 2007

Peixes palhaços e anêmonas - Mutualismo

Um dos mais fascinantes peixes da natureza, sendo muito pesquisados por biólogos que são atraídos por sua beleza encantadora e pela sua peculiar interação com as anêmonas.
Amphiprion ocellaris
Os peixes palhaços são encontrados por toda região oeste dos Oceanos Ìndico e Pacífico, concentrando-se em maior quantidade na região dos arquipélagos das Filipinas. A maior influência quanto a sua distribuição, é a disponibilidade das anêmonas e sua distribuição nos oceanos.
Dotados de um nado relativamente lento e cores chamativas, os peixes-palhaço atraem de longe a atenção dos predadores, como peixes grandes, raias e tubarões. Com isso, eles adquiriram uma estratégia evolutiva, sendo um sistema eficiente para se proteger dos agressores. Produzem um muco protetor, que impede que as “células urticantes”, os nematocistos, penetrem e ao se esfregar lentamente nos tentáculos de uma anêmona, o muco desta passa a combinar-se com o seu e assim a anêmona não o reconhece como uma presa, e o peixe se protege de seus predadores.

Amphiprion percula
Na natureza, o peixe palhaço não consegue sobreviver sem a presença de uma anêmona, pois elas lhe fornecem abrigo, proteção, delimitam seus territórios, afastam possíveis predadores e servem como local de desova. Elas são beneficiadas também, pois seus tentáculos são aerados com os movimentos dos peixes, conseguem capturar presas mais facilmente, atraídas pelos movimentos e cores dos peixes palhaço e ainda se beneficiam de fragmentos de alimentos consumidos por eles. Essa relação entre ambos se chama Mutualismo.
Premnas biaculeatus
Existem cerca de 27 espécies, uma das quais pertence ao gênero Premnas, pertencendo os outros ao gênero Amphiprion.
Família Pomacentridae
Subfamília Amphiprionae
Gênero Amphiprion (peixes anêmonas)

Amphiprion akallopisos (nosestripe anemonefish, skunk clownfish, skunk-strip anemonefish, whitebacked clownfish)
Amphiprion akindynos (barrier reef anemonefish)
Amphiprion allardi (twobar anemonefish)
Amphiprion argenteus
Amphiprion bicinctus (threebanded anemonefish, twoband anemonefish)
Amphiprion chagosensis (chagos anemonefish)
Amphiprion chrysogaster (mauritian anemonefish)
Amphiprion chrysopterus (orangefin anemonefish)
Amphiprion clarkii (black clown, brown anemonefish, chocolate clownfish, clarck's anemonefish, yellowtail clownfish)
Amphiprion ephippium (red saddleback anemomefish, saddle anemonefish)
Amphiprion frenatus (black back anemonefish, fire clown, oneband anemonefish, red clown, tomato clownfish)
Amphiprion fuscocaudatus (seychelles anemonefish)
Amphiprion latezonatus (wideband anemonefish)
Amphiprion latifasciatus (Madagascar anemonefish)
Amphiprion leucokranos (whitebonnet anemonefish)
Amphiprion matejuelo
Amphiprion mccullochi (Mcclloch's anemonefish, whitesnout anemonefish)
Amphiprion melanopus (black anemonefish, dusky anemonefish, fire clownfish, red and black anemonefish)
Amphiprion nigripes (maldive anemonefish)
Amphiprion ocellaris (clown anemonefish, common clownfish, false clown anemonefish)
Amphiprion omanensis
Amphiprion percula (blackfinned clownfish, clown anemonefish, clown fish, orange clown fish)
Amphiprion perideraion (false skunkstriped anemonefish, pink skunk clown, salmon clownfish, whitebanded anemonefish)
Amphiprion polymnus (brownsaddle clownfish, saddleback clownfish, yellowfinned anemonefish)
Amphiprion rubrocinctus (Australian anemonefish, red anemonefish, redgirdled anemonefish)
Amphiprion sandaracinos (orange anemonefish, yellow clownfish, yellow skunk clownfish)
Amphiprion sebae (brown clownfish, sebae clown, yellow clownfish, yellowtailed anemonefish)
Amphiprion thiellei
Amphiprion tricinctus (maroon clownfish, theeband anemonefish)
Amphiprion tunicatus

Gênero Premnas

Premnas biaculeatus

Stichodactyla gigantea

Como manter o peixe Palhaço no Aquário
As condições para a manutenção de peixes palhaço são básicas, ou seja, níveis de compostos nitrogenados zero; pH em torno de 8,3; iluminação de 12 horas diárias e temperaturas em torno de 26º C.
Manter anêmonas em cativeiro não é tarefa das mais difíceis, mas manter determinadas espécies, sim. Boa parte das anêmonas que servem de “anfitriãs” são exigentes e sua manutenção pode trazer problemas para o aquariofilista, especialmente para o menos experiente.
Amphiprion frenatus
Os gêneros mais utilizados em aquários são: Entacmaea, Heteractis, Stiochodactyla, Macrodactyla e Cryptodendrum, quase todos com exigências altas como por exemplo a intensidade de luz, pois habitam águas rasas. Um fator comum à todas as espécies é a alimentação que deve ser ministrada diretamente e em quantidades regulares. Muitas anêmonas, ao se moverem pelos aquários, ferem-se e acabam morrendo. Quando uma anêmona morre, libera grandes quantidade de toxinas que podem matar todos os outros habitantes do aquário.
Amphiprion clarkii
Reprodução
Outro fato que chama atenção nesses peixes é a reprodução, pois são peixes hermafroditas, ou seja, possuem os dois sexos e têm capacidade de mudarem conforme sua necessidade. Isso é possível porque os peixes, enquanto jovens, não definem o sexo, eles nascem com capacidade de serem machos ou fêmeas. Nos grupos de peixes palhaços, se existir uma fêmea e ela seja a dominante, todos os outros permaneceram machos até que a fêmea morra ou migre para outro lugar. Então, o macho maior do grupo se modifica em fêmea e assume a postura da antiga fêmea, o que significa que se forem colocados dois peixes juvenis juntos no mesmo aquário, o maior deles se tornará fêmea e outro macho.
Entacmaea quadricolor var. pink
Alimentação

Os peixes-palhaço não são exigentes quanto ao tipo de alimentação oferecida. Aceitam muito bem alimentos vivos como artêmia, gamarídeos e misidáceos, vitais para a manutenção de boa saúde do peixe em cativeiro; congelados como patês elaborados com mexilhões, lulas, camarão e ministrados em pequenas quantidades e rações industrializadas de boa qualidade. Uma regra muito importante e que vale para qualquer peixe mantido em cativeiro é oferecer alimentos variados e de boa procedência.
Entacmaea quadricolor var. red

Referências Bibliográficas:
TALARICO, Alexandre; RAMOS, Cássio. Respeitável Público. Revista Aquamagazine, São Paulo, ano 1, v. 2, p. 46-55, nov./dez./ jan. 2006.
Mania de bicho acessado em 12 de agosto
Wikipedia acessado em 12 de agosto


Adaptado por Ricardo Britzke
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Sunday, July 29, 2007

Killifishes

Introdução aos Killifishes

No planeta Terra, há 250 milhões de anos atrás, havia um supercontinente chamado PANGEA. Há aproximadamente 200 milhões de anos, esse supercontinente começou a se fragmentar. Ao norte formou-se o continente conhecido como Laurássia e ao sul Godwana. Entre esses dois continentes, formou-se um mar raso chamado de Mar de Thethis. Foi nesse mar que surgiram os primeiros peixes ósseos modernos, inclusive os Cyprinodontiformes, ordem a qual pertencem os Killifishes.

Pangea

A mais de 120 milhões de anos atrás, sucessivas mudanças ambientais provocaram no grupo ancestral uma excepcional capacidade adaptativa a situações adversas. As elevações e retrações do nível dos oceanos, o surgimento de novas vegetações e formações geológicas e a mudança no curso dos rios “ensinaram” aos seus genes que não é prudente contar com água permanente. Além dos ovos-sementes à prova de seca, eles se especializaram em técnicas reprodutivas sofisticadas. Assim se desenvolveram as famílias Rivulidae (na América do Sul, principalmente Brasil) e Nothobranchidae (na África), as únicas duas linhagens existentes dos incríveis peixes anuais. Bem-sucedidos na odisséia evolutiva que garantiu seu lugar na Terra, no último século os peixes anuais descobriram o que é perigo pra valer. Nestes tempos de aterros, dragagens, desmatamento, barragens, asfaltamento e transposição, está cada vez mais complicado depender de uma pobre lagoa ou brejo sazonal. Num piscar de olhos, vem a obra humana e vão pelo ralo milhões de anos de história natural. Muitas vezes, antes mesmo que a ciência tome ciência do fato.

Brejo cedendo espaço a construção de casas

Os Killifishes são divididos quanto à biologia reprodutiva da espécie em três tipos distintos: Anuais, Não-anuais e Semi-anuais.

Anuais – São encontrados em poças e charcos temporários, os quais se encontram cheios de água na época das chuvas e secas durante a estiagem. Sendo assim, desenvolveram um mecanismo para contornar este problema: a diapausa, que é um estágio onde o desenvolvimento embrionário no interior dos ovos fica estacionado, aguardando um certo tempo para completar o desenvolvimento do embrião, para que ocorra a eclosão dos ovos na próxima estação de chuvas. A diapausa varia dependendo da espécie e condições climáticas.

Outra característica dos anuais é o alto grau de endemismo, pois habitam pequenas coleções de água, o que fez algumas espécies estreitarem suas características específicas, genéticas e morfológicas; ficando restritas a uma determinada localidade. Tal endemismo é fator determinante para a conservação dessas espécies, pois muitas delas ocupam o nicho ecológico de exploração de recursos naturais pelo homem, favorecendo assim sua ameaça à extinção ou mesmo extinção.

Os killis anuais encontrados na América do Sul pertencem à família Rivulidae, e incluem os gêneros Austrolebias, Leptolebias, Cynolebias, Simpsonichthys, Pterolebias, Nematolebias e outros.

Já os encontrados na África, pertencem à família Aplocheilidae e inclue os gêneros Notobranchius, Pronotobranchius e Fundulosoma.

Simpsonichthys zonatus

Nematolebias whitei

Nothobranchius korthausae

Nothobranchius rachovi

Não anuais – São encontrados nos mais diversos tipos de biótopos, dentro de florestas, savanas, charcos, áreas de restinga e até manguezais, sendo encontrados dentro de pequenos riachos e fios d’água. Desovam em raízes de plantas na natureza, sendo substituídas pelas bruxinhas pelos criadores, simulando assim as raízes das plantas flutuantes.

São divididos em dois principais grupos, os Rivulidae que ocorrem nas Américas e os Aplocheilidae que ocorrem na África, Ásia e Europa.


Rivulus mahdiaensis

Aphosemion bivittatum

Rivulus xiphidius

Pseudepiplatys annulatus

Semi anuais - Possuem características dos dois grupos, tanto desovam no substrato passando por um período de incubação, quanto desovam em raízes de plantas.


Por ter como habitat natural pequenas coleções de água, os Killifish têm a função na natureza de controlar as populações de larvas de insetos dessas poças d´água, pois em muitas delas, são os único peixes existentes, por suportarem altos índices de nitritos e pH muito ácido. Estudos comprovaram que sua principal dieta é quironomos e larvas de mosquitos em geral, sendo muito útil no controle dos transmissores da dengue, malária e outras.

Os killifishes, as vezes possuem diversas populações em uma região, que apresentam pequenas variações de coloração entre as mesmas, como por exemplo as Nematolebias whitei "Barra de São João" e Nematolebias whitei "Búzios"

Para isso, existem nomes ou códigos que acompanham o gênero e a espécie de killis, que fornecem uma referencia de localização onde os peixes foram coletados, quem os coletou e quando ocorreu a coleta, evitando assim que realizemos cruzamentos, misturando diferentes populações de uma espécie e preservando-as.

Quanto ao nome Killifish, o mesmo não tem sua origem na língua inglesa - que significa matador - e sim, na língua holandesa - que significa canal. A tradução correta da palavra Killifish é peixe de canal e não peixe matador. Na década de 70, a AKA (American Killifish Association) patrocinou uma pesquisa da origem do nome Killifish e descobriu que esta confusão se deve ao fato de que a região nordeste dos Estados Unidos foi muito invadida pelos holandeses, os quais deixaram muita influência na língua local.

Poça temporária na Mata Atlântica

Diferente de todos os outros ramos da aquariofilia, o objetivo dos killiofilos é manter os peixes exatamente da mesma maneira que são encontrados na natureza, seja na coloração, formato das nadadeiras, etc.

Quando se trata de criadores de killis sul americanos, isso é ainda mais evidente, uma vez que grande parte dos criadores tem como idéia central a manutenção das espécies ameaçadas, pensando em uma possível reintrodução do peixe na natureza, diante da acelerada destruição de seus biótipos.


Referências Bibliograficas

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Vale a pena conhecer


Adaptado por Ricardo Britzke
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